Olá amados!

Como têm passado?

Alguns profissionais tiveram que se adequar durante a quarentena, continuando assim seu trabalho em casa no formato home office, como uma alternativa de dar continuidade a seu trabalho. Manter a rotina, reorganizar horários e ficar mais tempo na frente do computador, pode ser bem fácil para alguns, não para outros tendo que enfrentar uma série de mudanças domiciliares para se adequar à nova vida profissional. Não somente os profissionais que enfrentam essas mudanças de rotina, mas também familiares, estudantes, clientes, pacientes.

Alguns psicólogos e psicanalistas tiveram que rever sua forma de pensar em relação à terapia e análise online, mas a maioria dos analistas e terapeutas estão se saindo bem com o atendimento online. Mesmo que no início tenham tido algumas dificuldades, como casa ou apartamento pequeno, dividir o momento do trabalho com filhos pequenos, outros familiares, computador, cadeira confortável e por aí os mais variados detalhes. E não só isso! Mas, o cliente (paciente ou analisando como alguns preferem chamar), também precisaram se adequar.

Muitos pacientes tiveram que parar sua terapia por vários motivos, sejam eles devido a situação financeira ou até mesmo falta de liberdade em seu lar.

Vamos ler nossas convidadas pra lá de especiais!

Dor nas vistas, na cabeça devido ao excesso de uso do celular e computador, dor na coluna devido a má postura da cadeira, Cíntia explica que esse home office forçado, sem preparação a cansou muito mais, desgastando mais ainda mentalmente. A parte do trabalho desgastou muito no início, pois ainda não tinha realizado atendimento com pacientes online, apenas supervisão online com alguns que moravam em outras cidades.

Cíntia prefere atender presencialmente, mas devido à pandemia teve que se adequar.

Olhando bem para o paciente, com a câmera focada no rosto dele para não perder as expressões faciais. Alguns pacientes se adequaram bem e outros não muito.

Não muito diferente de todos Cíntia sentiu medo, preocupação, ansiedade por não saber como seria a nova rotina. A preocupação com seus pais que já são idosos e moram em outra cidade, ela nos conta que nos primeiros 30 dias, ficou completamente sozinha saindo apenas para o necessário.

“ Uma coisa é morar sozinha, outra é se sentir livre para realizar atividades como visitar amigos, correr na Rondon.”

Os sintomas que ela sentiu no começo foram semelhantes ao da depressão, desânimo, dores no corpo, sem ânimo para nada, o que foi passando com o tempo.

Devido a privação de liberdade, privação de privacidade, privação de contato social, os pacientes de alguma maneira apresentaram uma acentuação dos sintomas.

“Os pacientes, que fazem uso de medicamento ou não, dos quadros que já existiam, deram uma certa piorada.”

Ela nos explica que conversou com todos os pacientes no começo, na primeira semana de isolamento aqui em Uberlândia, e explica que o isolamento é uma situação de privação de muitas coisas incluindo o que é essencial para o ser humano, como estar com amigos, pessoas etc.

Então ela tem trabalhado com eles na aceitação ativa, ou seja, sentar-se e chorar? NÃO!

Pelo contrário, estamos diante de um fato e não podemos fazer muito para sair dele. Mas apresentamos alguns comportamentos que temos condição de realizar para tentar nos manter saudáveis e harmônicos.

“Algumas técnicas têm dado bastante certo, nesse momento não é interessante fazermos grandes metas terapêuticas, grandes avanços, estamos trabalhando para manter aquilo que já conquistamos como manter o humor constante e harmônico, e com aqueles pacientes que são muito exigentes consigo mesmos, no sentido que agora existem muitas variáveis , é preciso tentar manter o que tínhamos conseguido em terapia e que nesse momento só é possível realizar dentro de casa.”

Na opinião da Cíntia há um arsenal teórico sustentado na teoria e abordagem. Ela defende que a habilidade e competência do terapeuta em manejar bem cada caso separadamente, faz com que aquela teoria caiba no paciente. “Trabalhamos com a escuta, uma escuta ativa, acolhedora. Os pacientes não têm essa condição em casa, então eles têm conosco, e tem funcionado muito bem para contribuir nesse momento e preservar um pouco da saúde mental de cada um deles.”

Amados, Cíntia Marques Alves se formou na UFU, tem pós graduação e especialização em Clínica e Terapia Cognitivo Comportamental. Mestre em Psicologia da Saúde com ênfase em processos cognitivos. Professora da Faculdade de Psicologia (Pitágoras, Uberlândia/MG) para o curso de graduação em psicologia, e ela é ótima professora. Ela atende e contribuiu muito para fundar O Instituto Integrare que é a primeira Clínica de Psicologia em Uberlândia inteiramente voltada para o tratamento Cognitivo-Comportamental. Fundada em novembro de 2007, com muito esforço também de nossa querida Cíntia.

Além de ser referência para tratamento psicoterápico, supervisões, cursos e palestras; a equipe de profissionais da Integrare diferencia-se por oferecer os programas de manejo do estresse pré-vestibular/concursos, de tratamento do tabagismo e da obesidade, e de orientação a pais. Destaca-se também pela área de consultoria que abrange os ambientes educacional e organizacional e a psicologia do esporte.

Nossa outra convidada é a Larissa Guimarães Martins Abrão, psicóloga gestaltista atua na clínica há vinte e cinco anos. Além disso, é professora universitária (e que professora risos ela é ótima, maravilhosa) e tem doutorado em psicologia, com concentração em psicologia, gênero e desenvolvimento humano.

“O início da pandemia representou um choque geral, acho que todos ficamos em suspensão, angustiados com o futuro que poderia se desenhar. A angústia ainda existe fortemente, em especial por causa das mortes que o país registra. Além do sentimento de vulnerabilidade que a própria doença representa, ainda temos que lidar com as inseguranças da crise política que atravessamos. Isso só agrava a sensação de desamparo com relação às políticas públicas para o futuro.”

Ela já usava o recurso da terapia online com pacientes que haviam mudado de cidade, a adaptação envolveu ofertar atendimentos terapêuticos online para todos os outros e novos pacientes e a transmissão de aulas por plataforma digital.

É uma mediação, do meu ponto de vista, limitada. Como gestaltista, acredito que nada substitui o contato presencial, especialmente, como dito, quando se está conhecendo o paciente. Mas, apesar da limitação da ferramenta, é ela que protege a saúde de todos.

Os pacientes, de modo geral, também têm relatado angústia diante do momento, mas não só isso: vejo o despertar de outros potenciais, vejo a abertura de possibilidades criativas e creio que, sob essa ótica, a Gestalt-terapia tem muito a contribuir, pois é uma abordagem que cuida do ajustamento criativo de cada um e acredita que todos temos capacidade de autorregulação.”

Percebemos com isso que todos nós somos vulneráveis ao ambiente, mas o que fazemos diante a isso, como contornamos a situação, o que fazer nesse momento é o que vale mais a pena.

Cuidar da saúde mental (não somente) é necessário para nós seres humanos, em meio à pandemia, os cuidados com a saúde precisam ser redobrados.

Durante uma pandemia é esperado que estejamos frequentemente em estado de alerta, preocupados, confusos, estressados e com sensação de falta de controle frente às incertezas do momento. Estima-se que entre um terço e metade da população exposta a uma epidemia possa vir a sofrer alguma manifestação psicopatológica, caso não seja feita nenhuma intervenção de cuidado específico para as reações e sintomas manifestados. Entretanto, é importante destacar que nem todos os problemas psicológicos e sociais apresentados poderão ser qualificados como doenças. A maioria será classificada como reações normais diante de uma situação anormal.

Eu acredito em reconhecer e acolher os receios e medos, procurando pessoas de confiança para conversar, reenquadrar os planos e estratégias de vida, de forma a seguir produzindo planos de forma adaptada às condições associadas à pandemia.

Mantenha-se conectado com seus amigos, familiares por vídeo-chamadas, faça exercícios físicos, super indico Yoga pois trabalha corpo, mente, espírito, respiração etc.

Se situe no momento presente, o que eu posso fazer nesse momento? Arreganhe as mangas, sacuda o corpo, grite se quiser (mesmo que o vizinho pense que você é doido) dê uma boa faxina em casa, pinte, desenhe, chore se quiser, dance. Sorria!!!

E caso precise procure ajuda de algum profissional habilitado, não fique com vergonha.

Cuide-se!

Um abraço Fraternal pra você aí que me lê!

Ótima semana!

Viviane Melo