Pessoas tendo que se reinventar, parar, refletir, pensar e descansar!
Mudanças repentinas em suas rotinas! O medo do que pode acontecer, estresse, desânimo, angústia, preocupação com o futuro, tensão com algum familiar com o qual esteja convivendo nesse momento, ou com grande saudade de familiares e amigos.
Trabalhadores preocupados desde o momento de sair de casa para pegar ônibus, metrô, transportes que estão super lotados, mais o medo de serem contaminados, além do desemprego e do desespero causado por um futuro incerto. E você como tem enfrentado essa pandemia?
Essas questões me motivaram a entrevistar profissionais gerais e da área da saúde. Como são várias entrevistas, relatos e conversas, resolvi então publicá-las semanalmente e claro, incluindo dicas para saúde e bem-estar, pensando nesse momento tão frágil que estamos passando.
A vida sem pausa
“O tempo para o descanso tornou-se demasiado caro. Sentimos as consequências da existência desse ritmo 24/7, em diversos aspectos.
Vida sem intervalos, acumulo na produção, o consumo, cada vez mais e maior , cada vez mais o ser humano não realizando pausas, engajado numa vida interrupta que transcende o tempo do relógio e se define pela continuidade de funcionamento e operação.
A maioria dos motores básicos da vida humana como – a fome, a sede, o desejo sexual, a necessidade de amizade – foram transformados artificialmente em formas mercantilizadas ou financiadas.
Parte de nossas vidas que passam adormecidas, livres de ter que satisfazer mecanicamente a multiplicação de falsas necessidades.
Hoje em dia, no mundo inteiro tem lugar uma frenética orgia sem interrupção de saques e acumulação, seja a fratura hidráulica, a mineração de carvão, a perfuração submarina, a agroindústria, a purificação tóxica de minerais ou a contaminação dos oceanos e dos rios. A lógica dessa expropriação de recursos exige continuidade sem parar, da manhã até a noite, 24 horas por dia, sete dias por semana, sem dar tempo para a regeneração dos sistemas vivos e dos ambientes.” (https://brasil.elpais.com/brasil/2015/05/20/cultura/1432123650_805121.html)
Publicado pelo EL PAÍS em 25/05/2015, A armadilha da Produtividade. Onde silêncio e calma, descanso não era visto com bons olhos.
Vejamos alguns outros fatos:
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que 76% das indústrias relataram que reduziram ou paralisaram a produção em razão da pandemia do novo coronavírus. (https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/05/14/pandemia-do-coronavirus-fez-76percent-das- industrias-reduzirem-ou-paralisarem-producao-diz-cni.ghtml)
Imagens de satélite mostraram um declínio dramático nos níveis de poluição sobre a China, o que é "pelo menos em parte" causado por uma desaceleração econômica provocada pelo coronavírus, segundo a agência espacial americana Nasa.
(https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51699211)
Vejamos então o que dizem nossos entrevistados:
“Tenho que usar máscara devido a recomendação, e o lado bom é que disfarça meu descontentamento e desequilíbrio”.
Que bom que não perdeu o senso de humor Marcelo!
Marcelo Candido, empresário no ramo de Barbearia e cuidados, se sente muito ansioso e incerto sobre o futuro. “Pensei que ia ser passageiro, no começo não dei muita relevância, mas estou confuso, irritado, preocupado com as pessoas. Vontade de sair correndo, sinto dores no corpo, na coluna. É como se algo estivesse me segurando, me privando, sensação de que preciso me livrar desse peso.
Meu trabalho foi prejudicado, reduzi os atendimentos e percebi uma bola de neve se formar, devido a despesas como aluguel, fornecedores e parceiros.
Aqui na Barbearia os atendimentos voltaram aos poucos, seguindo todas as recomendações e protocolos devido a pandemia.”
Marcelo Candido
Douglas, empresário no ramo esportivo de academia em Uberlândia, com um grande número de colaboradores, se viu obrigado a dispensar todos eles, fechar as portas e esperar!
Com isso a angústia, medo, ansiedade se tornaram presentes para ele e esposa. Toda essa preocupação repentina foi sentida em seus corpos (somatização).
Queda de cabelo, dor de cabeça, dor nas pernas, dores em todo o corpo se tornaram presentes, assim como a dificuldade para dormir. Tendo que por vezes fazer a ingestão de medicamentos ou uso de bebida alcoólica para dormir e fugir daquela realidade mesmo sendo contra medicamentos para esses fins.
Resolveram então direcionar toda sua angústia para ajudar algumas pessoas que os estavam procurando, realizaram campanhas para doação de alimentos, remédios.
Perceberam que ao fazerem isso, se tornaram mais leves, reconhecendo que havia pessoas numa situação pior que a deles.
Continuar daquela forma não dava mais. Então os dois deram a volta por cima, voltaram a treinar (apenas os dois), se movimentar. Disponibilizaram um aplicativo: “Trainingym” para os alunos e continuaram suas atividades online.
Mesmo que ainda por vezes se sentem tristes devido a situação, têm esperança que tudo passará. “As pessoas acham que somos empresários e temos muito dinheiro, mas não é bem assim, estamos tentando, lutando para nos manter, pois abrimos, fechamos, assumimos a manutenção, fazendo nosso trabalho, contratamos colaboradores…”
Douglas @garragym.
Alguns espiritualistas acreditam ser esse um momento muito especial para o planeta. Com oportunidade para a transformação de dogmas, paradigmas...
Claudete, Terapeuta Complementar e Professora de inglês, gosta de ficar mais tranquila, ama sua própria companhia. No início da pandemia ela buscou os pais na Serra da Canastra para passar um tempo com ela em Uberlândia/MG.
“Antes, os via rapidamente, não tinha muito tempo de ficar com eles, era só um almoço ou lanche ligeiro. Nesse momento estamos tendo a oportunidade de passar mais tempo juntos.
“Com a rotina a qual estamos habituados, senti saudade de sair um pouco, mas ao mesmo tempo, fiquei tranquila.
O financeiro me afetou, pois dou aula de Inglês e os alunos tiveram que parar com as aulas, assim como as terapias. Precisei reavaliar as prioridades, e que uma poupança se faz necessário, assim como uma programação de vida.
Um momento em que muitas famílias estão tendo a oportunidade de passar mais tempo com seus familiares.
Alguns pais que antes trabalhavam para fora, estudavam, quase não viam seus filhos, hoje tem a oportunidade de estar presentes, de educá-los.
Algumas pessoas que são minhas clientes se viram com bastante dificuldade por não conseguir ficar sozinhas.
As pessoas estão percebendo que podemos viver com menos dinheiro, não precisamos correr tanto. Podemos viver com menos, sair do ter e entrar no ser e viver. Viver com as pessoas do nosso habitual. Afinal, o que é realmente necessário?
Vejo muitas pessoas fazendo campanhas solidárias, percebo que o lado humano se intensificou bastante nas pessoas, o que está promovendo uma mudança, que espero que seja de modo permanente.”
Claudete Martori
Leila no momento não está trabalhando fora de casa, casada e com um filho, relata que no começo não deu muita importância à pandemia, porém depois se viu preocupada, saindo apenas para o necessário.
“Acredito que isso veio pra dar uma lição no ser humano. Para que ame mais, seja mais solidário com o próximo.
Nesse momento alguns estão passando mais tempo em casa, percebo que muitas famílias estão valorizando mais a relação interpessoal, seja numa boa conversa ou algum ato mais amoroso, que antes eles não tinham.
Acredito que isso veio para trazer mais amor as pessoas, solidariedade, reflexão, e que talvez possam vir coisas piores.
É um momento para se apegar na fé, ler bastante, estudar o que gosta, refletir.”
Assustada devido à quantidade de mortes no exterior, Verônica, gestante acreditava que elas não causariam tanto impacto aqui, até que veio a preocupação, incerteza pois já estava prestes a dar à luz. Se afastou do seu esposo, pois ele trabalha com serviços essenciais, para se proteger e proteger a filha de 4 anos. Mudou totalmente sua rotina, tendo de se adaptar com as aulas online da filha, em que percebeu as mudanças de humor (por não poder passear, sair, etc.)
“Como estou no “epicentro” da Pandemia do Brasil (São Paulo), devido ao número de casos a quantidade de infectados nos assusta, porém, estou tentando manter a calma, tranquilidade para não surtar psicológicamente e desestruturar a família.”
Vocês, gostaram das entrevistas?
Fiquem atentos as próximas!
Contarão também com a participação de Psicólogos, Professores entre vários outros! Fiquem Ligados!
Frankl (1992), afirmou persuasivamente que encontrar uma sensação de sentido da vida ajudava a servir como um antídoto para o desespero e a desilusão (Victor Frankl foi prisioneiro de campos nazistas).
Abraço Virtual,
Viviane Melo
